
Trabalhando com projetos, professores aproximam alunos da comunidade e
melhoram o rendimento
Denise Pellegrini, de Bariri (SP)
| Fotos
Masao Goto Filho |
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Há 42 anos a Escola Idalina funciona no
mesmo prédio: a agitação das turmas de
Ensino Fundamental e Médio é acompanhada de perto... |
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empre que
percebem que algo não vai bem — dentro ou fora das salas de aula — os
professores da Escola Estadual Professora Idalina Vianna Ferro se
reúnem. Nesses encontros, eles tentam identificar as causas do
problema, discutem possíveis soluções e transformam a adversidade em
desafio. Invariavelmente criam um projeto a ser implantado. "Com essa
estratégia resolvemos dificuldades pedagógicas ou mesmo de
relacionamento", afirma Lia Maura Foloni, que dirige a instituição há
sete anos.
Essa forma de
trabalho — aliada a uma estreita relação com a comunidade e ao
incentivo a atividades extracurriculares —, garante aos 1149 alunos de
5ª a 8ª série e Ensino Médio um lugar entre os melhores da rede
paulista. E a escola, motivo de orgulho de Bariri, a 320 quilômetros
de São Paulo, se transformou em fábrica de projetos. "Queremos
desenvolver habilidades, mas num espaço atraente", completa Lia.
Objetivo definido
Além de atrair os estudantes, o sistema implantado por Lia
deixa os professores mais seguros. "Com projetos, a gente não se
perde", avalia Helena dos Santos, que leciona Geografia. "Cada ação
tem um fim definido." Helena e seus colegas de área já perceberam nas
crianças que chegam à 5a e à 6a séries uma dificuldade para
interpretar mapas, gráficos e tabelas. Para saná-la, eles aplicam
atividades que envolvem outras disciplinas, como Língua Portuguesa,
Matemática e Arte. Nas classes de 6ª, por exemplo, todos recebem
diversos espelhos e lentes para observar a formação de várias imagens.
"Explico que há diferentes formas de representar a realidade, e que o
mapa é uma delas", diz Helena.
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...por um quarteto afinado: (da
esquerda para
a direita) a vice-diretora Angela, a diretora Lia, e as
coordenadoras Vera e Dinorá
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Outro trabalho,
que une Ciências Naturais, Biologia e Geografia, tenta ajudar as
turmas de 5ª a 8ª série a construir conceitos. Parte das atividades é
desenvolvida no laboratório de Ciências. "Nessas aulas, os estudantes
observam e comparam resultados e aprendem a tirar conclusões", explica
a professora Silvana Braz, que conta com uma ajuda preciosa: para que
os exercícios se tornem mais produtivos, os próprios alunos são
treinados para atuar como monitores. Eles conhecem equipamentos e
reagentes, aprendem a preparar as experiências e ajudam a solucionar
dúvidas.
A capacidade de
adaptação é uma arma da equipe docente para driblar os poucos
recursos. O laboratório de Informática, por exemplo, não atende às
necessidades, mas ninguém perde tempo se queixando da falta de
estrutura. "Nos adaptamos, dividindo as turmas para que todos possam,
em dupla, utilizar os cinco micros de que dispomos", explica o
professor de Matemática João Simão, entusiasta do uso de softwares
educacionais.
Próximo à
comunidade
Os diversos projetos tocados durante o ano demandam
pesquisas, passeios ou excursões científicas. Assim, não é raro ver
alunos com o uniforme da Idalina em ação nas ruas. As águas do poluído
Córrego Godinho, que corta a cidade, já foram coletadas e analisadas
pela garotada da 7a série. "Procuramos conscientizá-los sobre a
necessidade de preservação do ambiente", afirma a professora Silvana.
Uma passeata pelo bairro encerrou outro trabalho, que envolveu Língua
Portuguesa, Arte, Filosofia e História. O tema, violência nos meios de
comunicação, na família e na escola, foi amplamente discutido em
classe. "A pé ou de bicicleta, os jovens levaram à população suas
mensagens pela paz", conta o professor de História João Gabriel.
Durante semanas,
todas as classes foram, uma a uma, visitar a nova biblioteca
municipal. "Nossos alunos liam pouco", lembra Elizângela de Almeida,
que leciona Língua Portuguesa. Além de incentivar os estudantes a
freqüentar também a própria biblioteca da escola, cada professor criou
estratégias para desenvolver o prazer da leitura. Elizângela, por
exemplo, leva gibi, jornal, revista, poesia, conto e crônica para a
classe. "Cada um anota em sua ficha o que leu e dá sua opinião." No
final do mês, ela faz um gráfico mostrando as obras mais procuradas.
"Os comentários despertam a curiosidade e todos acabam lendo os
títulos preferidos dos colegas." Além disso, o material vira base para
tarefas de conclusão do bimestre.
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Escola
Estadual
Professora Idalina Vianna Ferro
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Professores: 53
•
Alunos: 1149 (EF 756 - EM 393)
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Coordenadoras: 2
•
Funcionários: 14
•
Taxa de evasão: EF 4%
•
Taxa de promoção: EF 93%
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Salas de
aula: 12
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Turmas: 34
•
Períodos: manhã, tarde e noite
EF - Ensino Fundamental; EM - Ensino Médio |
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Parcerias e união
Fundada em 1952, a escola funciona desde 1959 no mesmo
local. Como o
espaço é pequeno, só foi possível até agora montar uma sala
ambiente, a de Arte. Uma parceria entre a prefeitura e a Associação de
Pais e Mestres resultou na construção de quatro salas de aula. Para a
conclusão da última, inaugurada no início do ano, a APM contou com
parte da verba arrecadada na cantina, cerca de 800 reais por mês.
Há um ano, a
Idalina está inscrita no Amigos da Escola, projeto que incentiva a
participação da comunidade no dia-a-dia escolar. A iniciativa
rende mais 400 reais mensais para a APM. "Cada família interessada
contribui com 1 real", explica Lia. E as portas ficam abertas ao
trabalho voluntário. No ano passado, uma psicóloga atendeu, durante um
semestre, crianças com dificuldades de aprendizagem. "Um dos maiores
problemas que enfrentamos é a adaptação dos que vêm de outras unidades
da rede estadual ou municipal ao nosso ritmo. Muitos têm problemas de
relacionamento e, mesmo na 5ª série, até de alfabetização", afirma a
coordenadora Dinorá Musegante. Por isso, a avaliação na escola, que
funciona em sistema de progressão continuada, é feita dia após dia.
O aluno que
começa a patinar é logo encaminhado para o reforço. "Temos 42 turmas,
funcionando de manhã, à tarde e à noite", conta a diretora Lia. A
maioria da clientela é carente — 41% dos estudantes trabalham,
inclusive muitos do diurno. "Nem sempre, no entanto, eles conseguem
conciliar as duas atividades e, infelizmente, alguns acabam optando
pelo emprego", lamenta Lia. Nesses casos, ela nunca se dá por vencida.
"Chamamos os pais e, quando não obtemos sucesso, recorremos ao
conselho tutelar." Estudantes carentes também são encaminhados ao
programa Sonho de Viver, promovido pela prefeitura, e ao Centro de
Promoção Social, mantido pela Igreja católica. Ambos dão
acompanhamento no período em que os jovens não estão em aula. Com
isso, a taxa de evasão no Ensino Fundamental caiu de 7%, em 1999, para
4% no ano passado.
A diminuição do
índice vem ocorrendo porque os 53 docentes formam realmente uma
equipe. Esse espírito é reforçado durante as duas reuniões pedagógicas
semanais, das quais participam também a vice-diretora, Angela
Fortunato, e as coordenadoras Dinorá Musegante e Vera Lúcia Piotto.
"Nesses encontros, garantimos a unidade do trabalho", destaca Dinorá.
A idéia desse
time é que todos os alunos se sintam "donos" da Idalina. Para reforçar
ainda mais o compromisso, a participação no grêmio estudantil é
incentivada. "Uma vez por semana, nos três períodos de aula, a gente
anima o recreio com nossa rádio. Entre uma música e outra, passamos
recadinhos, do tipo por que é importante manter a escola limpa", conta
a aluna Patrícia Santos, 17 anos.
Coral, fanfarra e
auto-estima
Diversas
atividades extracurriculares também ajudam a integrar todas os
grupos ao ambiente escolar e melhorar sua auto-estima. Cinqüenta
jovens participam do coral e oitenta da fanfarra. Outros vinte
freqüentam aulas de xadrez. As três iniciativas são mantidas por meio
de patrocínios.
Essa garotada
representa a escola em eventos até fora do estado. Na capital
paulista, a Idalina já fez bonito. Em 1999, venceu um concurso
promovido pelo Memorial do Imigrante e abocanhou, entre outros
prêmios, 6000 reais para a APM. Em setembro último, participou do
Desafio Escolar 2000, competição promovida pelo jornal O Estado de S.
Paulo com provas esportivas, artísticas e culturais. A etapa mais
trabalhosa foi preparada previamente em Bariri: um mapa com o perfil
dos eleitores da cidade. "Os alunos entrevistaram 6400 moradores",
elogia o professor Gabriel. O trabalho foi recompensado com a quarta
colocação, entre noventa participantes. "É muito legal para a gente
que a escola se torne conhecida e que as pessoas fiquem sabendo como
ela é boa", comemora Jaqueline Fernandes, 15 anos.
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