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Todos pela educação 
Por Jorge Gerdau Johannpeter  

 

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O Brasil não pode mais esperar. A única forma de competirmos globalmente é garantindo uma educação de qualidade para todos. Hoje o país vive uma oportunidade. Um importante movimento está sendo construído: o Compromisso Todos Pela Educação, um projeto que pretende mobilizar toda a sociedade brasileira para o tema da educação, de forma integrada e sinérgica, numa proposta única para o Brasil. Uma rara e valiosa conjugação de propósitos, visando a uma agenda comum, acima de interesses de classe, corporativistas ou político-partidários.

O Compromisso Todos pela Educação nasce com a missão de tornar efetiva a educação para todas as crianças e jovens. O desafio de realmente democratizar o acesso à educação mobiliza empresários e educadores de todo o país. É um pacto pela autonomia do brasileiro, pela conquista de cidadania.

Com metas definidas e propósitos estabelecidos, o Compromisso pretende mobilizar a sociedade para que, em 2022, bicentenário da Independência do Brasil, sejam garantidas condições de acesso, permanência, conclusão e sucesso escolar para as crianças e jovens brasileiros, de forma que:

...toda criança e jovem de 4 a 17 anos esteja na escola.
...toda criança de 8 anos saiba ler e escrever.
...todo aluno aprenda o que é apropriado para a sua série.
...todo aluno conclua o Ensino Fundamental e o Médio.
...o investimento na Educação Básica seja, no mínimo, equivalente a 5% do PIB e bem gerido.

Há muito o que fazer. Os brasileiros passam em média 4,9 anos de suas vidas na escola. Na Costa Rica, a escolaridade média é de 6,1 anos; na Argentina, 8,8; e nos Estados Unidos, 12,1. Com isso, a situação do Ensino Médio é alarmante. Apenas 22% da população completou esse nível de ensino, enquanto na Argentina mais de metade da população conclui o Ensino Médio, na Coréia do Sul, 82%, e nos Estados Unidos, o índice chega a 91%. A população brasileira deveria atingir, pelo menos, o Ensino Médio para assegurar seu espaço no mercado.

As estatísticas precisam mudar. Apenas 86% dos brasileiros com mais de 15 anos são alfabetizados, segundo dados do Banco Mundial (2002). Estamos abaixo de países como Argentina e Espanha, com porcentuais de alfabetização de mais de 97%, do Chile, da Costa Rica e da Venezuela, com cerca de 95%, e de boa parte dos países asiáticos, como Coréia, China e Tailândia, com índices de alfabetização que superam a casa dos 90%. Os números refletem uma triste realidade. No Brasil, um presidiário vale mais que um estudante. Enquanto o país investe pouco mais de 500 dólares por aluno por ano, o mesmo valor é desembolsado todo mês para manter um detento na cadeia.

E ainda desejamos ser competitivos em tempos de acirrada concorrência mundial!

Como competir globalmente se boa parte de nossa população mal lê ou escreve? Como garantir segurança pública sem dar atenção à educação? Realidades como essas deveriam causar indignação a cada um de nós. Um país que não tem condições de estabelecer uma educação de qualidade não pode crescer economicamente, nem gerar inovação, tecnologia ou conhecimento. É preciso formar um forte capital social e reforçar a capacidade competitiva e inovadora do Brasil.

Afinal, de quem é a culpa?

A responsabilidade é de toda a sociedade e, em especial, da elite. E não interessa que elite: empresarial, acadêmica, política, sindical. Ela é elite porque foi educada e se capacitou. No entanto, observa de forma passiva a má formação de milhões de brasileiros, contribuindo com a desigualdade de oportunidades. Destrói a base da democracia. Prejudica o desenvolvimento sustentado. Prejudica o capital social. Cava um abismo sem precedentes, cujo legado será pago pelas gerações futuras.

Mas os empresários podem ajudar a mudar essa realidade.

Qual é um dos maiores patrimônios que um empresário tem? A sua competência gerencial.

Qual é um dos maiores problemas que existe na atuação de governos e organizações sociais? A pouca competência ou conhecimento em gestão.

Uma das principais contribuições que as empresas podem dar à educação é promover a melhoria da gestão das instituições de ensino. A gestão pela qualidade permite fazer mais com menos e o Brasil precisa dessa solução para construir uma nação forte, potencializando ao máximo cada real investido em educação. Só assim formaremos brasileiros cidadãos, capazes de ler e de realmente compreender o que lêem, de se inserir no mercado de trabalho e de contribuir com o crescimento do país.

A educação é fator-chave para dar condições para a igualdade de oportunidades. É, sem dúvida, o melhor passaporte para a ascensão social. Em 1990, 84% dos jovens entre 13 e 17 anos pertencentes à camada mais rica da população estavam matriculados em escolas, enquanto apenas 39% dos adolescentes menos favorecidos da mesma faixa etária tinham vagas asseguradas em instituições de ensino. Em 10 anos, os percentuais mudaram para 96% de matriculados entre os mais ricos e 81% entre os mais pobres. O abismo diminui, mas é preciso fazer mais.

Para alcançarmos o desenvolvimento sustentável é necessário o fortalecimento do capital social no país. É esse capital que ajuda a manter a coesão social, o que leva a uma sociedade mais aberta e democrática. Reflete também o grau de confiança existente entre os diversos atores sociais que formam as comunidades e a sua capacidade de estabelecer relações de cooperação e associação em torno de interesses comuns. As comunidades não se tornam cívicas por serem ricas. Na realidade, ocorre o oposto: enriquecem por serem cívicas. O fortalecimento do capital social pode nos indicar fórmulas novas de estratégias de desenvolvimento.

As diversas lideranças da sociedade devem, cada vez mais, ter a consciência da importância de trabalhar na construção desse capital social. Infelizmente, em nosso país há uma tendência em desrespeitar esse conceito. O dia-a-dia de nossos noticiários bem o demonstra. Temos a obrigação de construir um país melhor, institucionalmente mais organizado e ético

Por que pensar em temas como capital social e sustentabilidade quando se propõem melhorias em educação?

Porque é realmente só com a visão de sustentabilidade e de capital social que podemos almejar uma sociedade melhor para o país. Os níveis de sustentabilidade e de capital social de uma nação são proporcionais à qualidade de sua educação.

Essa relação permanente e integrada entre educação, capital social e sustentabilidade forma o processo crítico do desenvolvimento social e, como todo processo, deve ser gerenciado com a melhor metodologia de qualidade. Como explica o professor Vicente Falconi – o único brasileiro escolhido como umas “21 vozes do século XXI” pela American Society for Quality -, um processo necessita ser conduzido com a maior sinergia possível entre os fatores conhecimento, liderança e metodologia. De nada adianta ter conhecimento sem liderança para conduzi-lo. Assim como de nada adianta ter conhecimento e liderança sem uma metodologia, um sistema de gestão que permita a busca da eficácia. Lideranças brilhantes sem ter um sistema de gestão também não chegam a resultados.
A gestão está na base da construção do capital social, do desenvolvimento sustentável e da formação de lideranças. E o alicerce de toda essa estrutura está nas mentes e nos corações dos professores. É na valorização dos mestres que se promoverá a real melhoria da educação. E essa valorização profissional passa também pela capacitação. Investir no professor é investir em um preceito básico da qualidade: a busca da melhoria contínua. É o aperfeiçoamento constante em temas acadêmicos e ferramentas de gestão que permitirá a formação de jovens mais bem preparados para o mercado e para a vida. O professor é o gestor e o agente da mudança. E precisa ser reconhecido por sua missão fundamental na construção do país, com salários dignos e valorização profissional por mérito e competência.

Pessoas não são mão-de-obra. Em nenhuma empresa deveria ser utilizada a expressão mão-de-obra para se referir aos trabalhadores. Independentemente do tipo de atividade, as empresas não precisam da mão das pessoas, precisam da inteligência e da emoção. Profissionais preparados, com consciência de sua responsabilidade social e de suas potencialidades, são fundamentais para a construção do crescimento econômico e de uma sociedade melhor. Para isso, basta que tenham oportunidades. Só se constrói uma democracia ao oferecer igualdade de oportunidades. E a empresa não pode se abster de seu papel nessa construção, que é de toda a sociedade.

Devemos ter uma atitude de indignação com a nossa baixa qualidade de ensino, cuja demanda é dramática e exige o envolvimento de toda a população. São vários os desafios. O Compromisso Todos pela Educação é uma oportunidade para encontrar algumas das soluções. Convido todos a aderirem a esse movimento. O projeto, como o próprio nome diz, é de todos e precisa estar próximo das pessoas. Se os esforços forem coordenados, será possível alcançar mais. Empresários, educadores, lideranças de organizações do Terceiro Setor e associações de classe, representantes de governos, jornalistas, pesquisadores e especialistas já aderiram e estão juntando esforços para garantir uma educação melhor para todos.

O que os pais podem fazer para garantir uma boa educação para seus filhos?
Quem depois dos pais é essencial nesse processo?

Pais e professores têm o poder de garantir um futuro melhor para as próximas gerações. A parceria desses dois atores sociais é fundamental para garantir uma educação de qualidade. Você, pai ou mãe, aprenda a ver o professor como parceiro, que atua em conjunto para formar cidadãos mais preparados, mostrando aos seus filhos que é preciso respeitar os professores. Garanta que seu filho permaneça na escola, participe das reuniões, converse com o diretor e mantenha-se informado sobre a qualidade de ensino da instituição (além de exigir o comprometimento dos gestores públicos).

Você, empresário, também tem um papel fundamental ao oferecer sua experiência em gestão para escolas e órgãos públicos, acompanhar a aplicação de recursos na educação, apoiar projetos na área e incentivar o desenvolvimento educacional de seus colaboradores. E você, gestor público, também não pode se abster de sua função básica de garantir o uso eficiente e ético dos recursos destinados pelo Estado.

Com a participação de todos os brasileiros é possível criar um ambiente favorável à educação, promovendo atividades que levem as pessoas a pensar na importância do saber e do conhecimento para construir um país melhor. O Brasil não pode mais esperar.

 

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