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Infinitivo Pessoal Flexionado - O infinitivo flexiona - Flexão não-obrigatória M. T. Piacentini
O Infinitivo Pessoal Flexionado Para ir ou irem? Convém ir ou irmos? A chance de eles ganhar ou ganharem? Problemas a ser ou a serem resolvidos? Têm sido muitas as perguntas dos leitores sobre o infinitivo, que é uma das três formas nominais do verbo, junto com o gerúndio e o particípio. Por sua própria essência e natureza, o infinitivo é uma expressão verbal que não comporta flexão – é o chamado infinitivo impessoal, que não tem sujeito próprio e geralmente corresponde a um substantivo: Trabalhar é bom = o trabalho é bom; amar é sofrer = o amor é sofrimento. No entanto, a língua portuguesa tem a peculiaridade de poder (e às vezes dever) flexionar o infinitivo, que passa a ser chamado de infinitivo pessoal. Flexionar quer dizer conjugar em todas as pessoas, por exemplo: vender, venderes, vender, vendermos, venderem. Esse infinitivo pessoal, que apresenta um fato ou uma ação de modo geral, está ligado a uma preposição – para ir, vontade de sair, interesse em ficar – ou a frases do tipo "Convém / cumpre dizer; e é preciso / é bom / é necessário / é importante / é possível dizer... O infinitivo flexiona 1. Quando tem sujeito claramente expresso, ou seja, quando o pronome pessoal ou substantivo vem ao lado do infinitivo. É o único caso de flexão obrigatória:
2. Quando se refere a um sujeito não expresso que se quer dar a conhecer pela desinência verbal:
Observe que as mesmas frases, sem a flexão, não deixariam claro o sujeito: "mencionei a intenção de vender" poderia significar "eu vender"; "é melhor sair" e "está na hora de ir" pode se referir a eu, ele, ela, você. Flexão não-obrigatória A flexão é desnecessária quando o sujeito do infinitivo é o mesmo que o sujeito ou objeto da oração principal. Tendo sido expresso na primeira oração, o sujeito já está claro quem é, não precisando figurar outra vez no mesmo período. Quando o sujeito não vem expresso ao lado do infinitivo, deve-se recorrer à flexão somente em caso de ambigüidade. Observe nas frases abaixo que é muito mais elegante a não-flexão:
De qualquer maneira, é bom que se repita que quando não há sujeito expresso (em outros termos: quando o substantivo ou o pronome pessoal vem antes da preposição) pode-se usar ou não o verbo no plural – a opção dependerá do redator:
Há ainda questões mais específicas de infinitivo flexionado, que veremos futuramente. Sobre a autora:
Maria Tereza de Queiroz Piacentini
é catarinense, professora de Inglês e Português, revisora de textos e
redatora de correspondência oficial há mais de vinte anos. Em 1989 foi
responsável pela revisão gramatical da Constituição do Estado de Santa
Catarina e no ano seguinte publicou artigos sobre questões vernáculas
em diversos jornais. Retoma agora a publicação de colunas semanais com
temas atualizados, em vista da experiência adquirida e das inúmeras
consultas que lhe têm feito pessoas de todo o País depois que lançou o
livro Só Vírgula - Método fácil em 20 lições (UFSCar, 1996, 164p.).
Também teve publicados, em 1986, dez módulos da Instituição Técnica
Programada - ITP, Português para Redação, edição esgotada.
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